Transas responde

Desde de 1999, o Grupo Transas do Corpo tem um serviço de perguntas e respostas via e-mail. As dúvidas surgem de pessoas de idade e sexo diferentes e com experiências diversificadas. As respostas são encaminhadas em no máximo cinco dias úteis. Preencha os dados do formulário abaixo e envie sua pergunta.



  •  
  • Estive conversando com minha namorada, e ela me questionou se ocorrem mudanças no corpo da mulher após a 1ª transa.

  • Transas respondeA mudança corporal em decorrência do início da vida sexual é um mito. Como também a evidência, ou seja, todo mundo vai saber só de olhar para uma jovem que ela já começou a transar. O que acontece é que, se a iniciação sexual se dá numa idade em que o corpo ainda está se transformando (segundo a média brasileira entre os 11 e 15 anos para as mulheres), são estas as mudanças percebidas: arredondamento de formas, especialmente dos quadris, crescimento dos seios, etc. Fora isto, ninguém pode afirmar apenas pela aparência do corpo se uma pessoa tem ou não vida sexual.

  •  
  • Sou muito insegura principalmente por achar os meus pequenos lábios muito grandes, muito desproporcionais. Gostaria que respondessem sinceramente o que os homens acham das mulheres que têm os pequenos lábios grandes

  • Transas respondeA anatomia da vulva (xoxota) varia enormemente de mulher para mulher. Os lábios mais internos podem, de fato, dar a impressão de serem maiores do que os "grandes lábios" (externos). Os "pequenos" lábios (internos) são os mais sensíveis, por estarem em um continuo com o clitóris e portanto, quando estimulados, produzem muito prazer. Muitas mulheres consideram suas anatomias imperfeitas quando são apenas diferentes, únicas. Seria mais importante considerar o grau de prazer que cada parte do corpo é capaz de proporcionar do que a sua aparência. Entretanto, numa sociedade como a nossa que surpervalorizada os padrões, compreendo sua preocupação. A única maneira de não iniciar uma relação sexual constrangida é incluir o tema nos assuntos que vocês dois conversam. Procure falar sobre padrões estéticos de beleza feminina, que são verdadeiras imposições sobre as mulheres; sobre sua inibição pelo fato de considerar algumas "imperfeições" nos seus órgãos sexuais e só inicie uma transa se você se sentir realmente pronta, relaxada e com confiança suficiente para se desnudar e usufruir dela junto com seu namorado. Aliás, uma maneira de iniciar esta conversa é olhar algumas figuras de genitais femininos e masculinos e conversar sobre diferenças e "desproporções". Assim como o tamanho do pênis não significa muito para o prazer nem do homem nem da mulher, certamente o tamanho dos lábios externos ou internos também não. Você irá ouvir do seu próprio namorado o que ele (e não os outros homens) acha disto. Hoje estão muito difundidas as cirurgias plásticas que "remodelam" vulvas. Achamos que é preciso sermos bastante críticas a respeito de tais intervenções, mas é um direito seu se informar a respeito.

  •  
  • Qual seria o tratamento para uma mulher que possui dores na hora da penetração (vaginismo) ?

  • Transas respondeO vaginismo é uma contração involuntária da musculatura vaginal no momento da penetração. Quando há dores, fala-se em dispareunia. Pode ter origens psicológicas ou emocionais relacionadas a alguma experiência sexual anterior e/ou a uma educação muito repressora que não facilita o conhecimento do corpo e o prazer é vivido com culpa e vergonha. Mas pode simplesmente indicar medo associado ao ato da penetração, que também pode ter fundo psicológico. É necessário compreender se há mesmo dispareunia ou se as dores não estão sendo provocadas realmente na hora da penetração por razões de pouca ou nenhuma lubrificação da vagina (por falta de estimulação correta de outras partes do corpo, principalmente seios e clitóris) antes da penetração, para relaxar e preparar a vagina para tal. Ou seja, é preciso uma série de observações e respostas antes de "diagnosticar" uma mulher como tendo vaginismo. Caso realmente exista, uma abordagem terapêutica talvez se faça necessária, com um/a profissional que lide com sexualidade: ginecologista com especialidade em sexologia, psicólogos/as com abordagem em sexualidade humana. Procure se informar sobre a existência destes serviços na região onde você mora. No caso das dores estarem associadas a alguma patologia (tricomonas, cândida ou outra), ela deverá ser tratada.

  •  
  • Como abordar uma menina de 13 anos que engravidou e foi obrigada pelos pais a abortar, que está confusa e cheia de culpa?

  • Transas responde Ciclo menstrual, gravidez e aborto Pode engravidar quando se transa sem camisinha, quando se está menstruada? Transasresponde A princípio não. Mas tudo depende das características do seu ciclo menstrual (um ciclo é tempo que decorre entre o primeiro dia da menstruação até o primeiro dia do próximo e varia de mulher para mulher). Se for um ciclo muito curto (menor que 20 dias) há um risco pequeno, caso a ovulação ocorra na primeira semana do ciclo. Isto ocorre porque o espermatozóide pode sobreviver alguns dias na vagina e esperar a ovulação, mesmo você estando menstruada. Em caso de dúvida, você pode recorrer à pílula do dia seguinte (a venda nas farmácias), mas apenas num prazo máximo de 72 horas após a relação sexual. Há instruções na bula para você usar e não há contra-indicações. Nesta página há uma extensa questão comentada sobre anticoncepção de emergência. Muitas pessoas dizem que o líquido que sai antes da ejaculação é somente para lubrificação não tendo risco da gravidez com ele, essa afirmação está correta? Transasresponde O líquido que sai do pênis no momento da excitação, antes da ejaculação, também contém espermatozóides, ou seja, a célula reprodutora masculina, através da qual ocorre a gravidez. Não importa a quantidade de líquido, é preciso evitar o contato do pênis com a vagina (ou de regiões bem próximas dela) quando se está sem camisinha. Para mais informações em gravidez e contracepção, clique nos textos disponíveis nesta página. Gostaria de saber quais as posições que uma mulher grávida pode transar. Transasresponde Não existem, exatamente, diferentes posições de transar para mulheres grávidas, a menos que tenham algum problema no percurso da gravidez, como ameaça de parto prematuro, por exemplo. Nesse momento, o/a médico/a ou um/a outro/a profissional de saúde deverá orientar melhor. Mas, do contrário, a mulher deve ir descobrindo as posições mais ou menos cômodas, de acordo com a evolução da gestação. À medida que for sentido desconforto, dores, pressão excessiva na barriga, etc., também deverá ir variando as maneiras de ter relação sexual. É bom lembrar aí, que a transa não implica, necessariamente, em penetração vaginal e que gravidez não é doença, permitindo à mulher e ao casal, continuar sentindo prazer. Se eu estiver no terceiro dia de menstruação (sem proteção) e meu companheiro ejacular perto ou dentro da minha vagina, poderei engravidar? Se não tivermos a certeza de que chegou a ejacular dentro da vagina, o que fazemos? Que precauções teremos que tomar de seguida além de começar a usar um método contraceptivo, devidamente medicado? Transasresponde O risco é pequeno e só existe se o seu ciclo menstrual for menor do que 20 dias (o tempo que vai de uma menstruação a outra), pois assim a ovulação ocorre muito próxima à menstruação. Se você estiver muito preocupada, há a pílula do dia seguinte (ver respostas nesta seção). Tenho muitas relações sexuais com meu namorado, já até transamos sem camisinha mas nada aconteceu, em relação a engravidar, mas ultimamente ele vem pedindo para ejacular (gozar) , dentro do meu ânus mas tenho medo de engravidar. Gostaria saber de vocês se corro algum risco de engravidar se ele gozar em meu ânus? Transasresponde Vamos começar com a questão do risco de engravidar. Se a relação é desprotegida, sem preservativo e/ou algum espermicida e há ejaculação no ânus, e isso coincide com seu período fértil, então há um certo risco, sim. Por que? Porque pode haver contato de sêmen entre ânus e vagina. As lubrificações se misturam na entrada da vagina (repare que a distância entre os dois orifícios é muito pequena) e facilitam a penetração dos espermatozóides para dentro do canal vaginal e deste para o útero e assim por diante. Pode ser um risco pequeno se comparado ao de uma ejaculação dentro da vagina, mas existe. Se você não deseja engravidar de jeito nenhum, adote camisinha em todas e quaisquer tipos de relações sexuais. Ainda, se o problema é só evitar a gravidez (a AIDS não apareceu como preocupação na sua pergunta), pode ser hora de você adotar um método mais seguro. Você tem feito um acompanhamento com ginecologista? Seria muito bom consultar um ou uma para por em dia questões de saúde (o papanicolau, por exemplo) e conversar mais sobre anticoncepção. Existem vários métodos e se você tiver dúvida sobre isso, poderá vir pessoalmente ao Transas prá pesquisar e conversar sobre o assunto. Ou continuar fazendo isso via e-mail. A última coisinha que queria te dizer é que o que importa é o prazer, o bem-estar e o cuidado de si. Qualquer tipo de relação sexual pode ser prazerosa, desde que mutualmente consentida. Converse com seu namorado sobre suas dúvidas. Como abordar uma menina de 13 anos que engravidou e foi obrigada pelos pais a abortar, que está confusa e cheia de culpa? Transasresponde O aborto não é um tema simples de lidar em nossa cultura marcada pela culpabilização. Na adolescência, dados os inúmeros altos e baixos da transição física e emocional, pode ser ainda mais delicado. Sugiro que a pessoa ou pessoas que irão abordar a questão com a menina só o façam a partir de um re-exame dentro de si, sobre os significados de uma gravidez, da sua interrupção, do ser mãe, da gravidez na adolescência, etc. Isso porque, se a pessoa que for conversar tiver muito preconceito ou tiver uma posição muito rígida em torno do aborto (crime, pecado...) só vai aumentar as angústias da garota. Há um material muito bonito produzido por uma corrente dentro da Igreja Católica (com participação de teólogas de outras religiões) chamado "Católicas pelo direito a decidir" (www.cdd.org.br), que aborda questões como a sua; a de como abordar eticamente o aborto em situações diversas envolvendo a decisão sobre a sua prática. Sugiro a sua leitura e reflexão para quem está se colocando na posição de "aconselhadora" ou ouvinte. É preciso prestar bem a atenção se a menina quer falar sobre o fato, que palavras ela usa para descrever o que aconteceu, que sentimentos guarda em relação aos pais, a si mesma, ao feto abortado, etc. Ela deve ser o foco, não a prática do aborto por si só. É preciso também se perguntar se a angústia é de fato dela ou dos adultos que a cercam. Pode ser difícil admitir mas nem sempre o aborto produz apenas remorso, culpa ou sentimentos ambíguos. Para muitas mulheres, de qualquer idade, o aborto pode representar alívio. Mas isso quem pode dizer é unicamente a pessoa que viveu a experiência. Outro aspecto bastante importante é não negar a sexualidade da garota. Como ter relacionamentos sexuais futuros sem risco de uma nova gravidez, como adotar métodos anticoncepcionais adequados, questões como a AIDS, o prazer, a afetividade, a família, os projetos de vida, entre outros. Para finalizar, é preciso cuidar da saúde num pós aborto para que nenhuma possibilidade de infecção ocorra. Caso resida em Goiânia, o referido material encontra-se disponível no nosso Centro de Documentação, para leitura e fotocópia. Temos ainda vídeos sobre o tema. Caso necessite de uma conversa com uma de nossas técnicas, basta agendar.

Transas responde

Tem dúvidas? Converse com outras pessoas, troque experiências, discuta suas inquietações.

Pergunte!