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Dis #2: Segundo Festival de Música Experimental enfatiza a produção de mulheres

Do site: http://blogueirasfeministas.com/2011/mulheres-experimentais/

Quando se fala em música experimental, pensamos em artistas que tentam inovar, provocar, inspirar, quebrar barreiras convencionais. Uma dessas barreiras é pouca presença de mulheres nesse meio. A segunda edição do festival Dis Experimental, que acontece no próximo fim de semana em São Paulo, tenta responder a esse desafio.

Quem trouxe a questão à tona foi Julie Oliva, uma das editoras do fanzine feminista Histérica, que foi assistir à primeira edição do festival. “Eu perguntei para a Muriel [uma das organizadoras] se ela conhecia meninas que tocavam. Ela disse que quase não conhecia e que era um problema nesse meio”. A partir disso, surgiu a ideia de convocar mulheres para o Dis #2. Julie começou a perguntar aos amigos no Facebook e por email e o chamado se espalhou.

O festival terá apresentações de Lidia Codo, no sábado, e Ariane Stolfi, no domingo, entre outros nomes (veja abaixo a programação completa). Lidia já tocou com a Orquestra de Laptops de São Paulo e, no seu projeto solo Inverso, junta música eletrônica e poesia de nomes como Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Andrade. Ariane classifica sua música como “eletrônica primitiva” e vai fazer uma sessão de improvisação vocal, com microfone aberto. Ambas têm em comum um diálogo com a música mais pop – dizem ouvir de tudo, sem preconceito – e a presença de letras em algumas músicas.

Em uma conversa por telefone e Skype, Lidia, Ariane e Julie contaram sobre a participação no Dis e sobre a presença feminina na música experimental. “Na verdade, acho que é uma questão da música em geral. Tirando as cantoras, a música em geral é um ambiente meio machista”, comenta Ariane. “Nas jams, com pessoal do jazz, por exemplo, eu sinto que tem uma diferença quando um homem chega e pega um instrumento e quando uma mulher chega e pega um instrumento. Como se a mulher quando pega num instrumento estivesse querendo chamar a atenção”. No caso específico da cena de experimental e noise, no entanto, a resistência é menor. “Eu sinto que o universo é masculino, mas eu não me sinto mal recebida”, explica Lidia. “Mas tem menos mulher ainda”.

Não apenas há poucas mulheres como se trata de uma cena restrita. Um dos objetivos do festival é aproximar músicos e público que têm interesse por sons de vanguarda, mas que muitas vezes não se conhecem. E também apresentar o gênero a ouvidos curiosos. Por conta do elemento de improvisação ser freqüente na música experimental, as apresentações costumam ser únicas. “Eu tento entender música como vivenciar uma experiência”, diz Lidia. “São experiências. Não é mais música como um produto fechado, pra preparar, guardar e vender”, completa Ariane.

2# Dis Experimental @ Casa Dissenso

Dias 21 e 22 de maio, a partir das 17h (início dos shows às 19h)
Casa Dissenso: Rua dos Pinheiros, 747 – Pinheiros – São Paulo, SP
Telefone: (11) 2364-7774
Capacidade nos eventos: 80 pessoas
Censura: 18 anos (nos eventos)

Programação
_Sábado – 21 de Maio
Inverso (Lídia Codo)
La Golden Acapulco (Daniel Llermaly – Chile)
Mundo Tigre (Mauricio Takara)
*Seleção de Vídeos: Ana Elisa Carramashi

_Domingo – 22 de Maio
Ariane Stolfi
Afasia
Paulo Beto & Lazlo
*Seleção de Vídeos: Marcio Black (Barulho.org)

*Seleção Musical Mecânica Akin Deckard
(Transmissão do áudio ao vivo pela internet. Rádio Metanol – metanol.fm)

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